Arcabouço Fiscal de Lula: Como as Trava do IBS e CBS Ameaçam o Fluxo de Caixa das Empresas em 2026
Reforma tributária sob risco: entenda como as travas fiscais do governo Lula podem elevar custos de compliance e reduzir investimentos públicos, impactando setores regulados pelo IVA Dual.
Resposta direta
Reforma tributária sob risco: entenda como as travas fiscais do governo Lula podem elevar custos de compliance e reduzir investimentos públicos, impactando setores regulados pelo IVA Dual.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O Que Muda no Seu Negócio a Partir de 2026: Trava Fiscal e o Efeito Dominó no IBS e CBS
O novo arcabouço fiscal, aprovado pela Câmara dos Deputados (PLP 68/24) e em tramitação no Senado, introduz traves automáticas que podem paralisar investimentos públicos e, por tabela, afetar diretamente o fluxo de caixa das empresas. Para CFOs e contadores, o alerta é claro: a não-cumulatividade plena do IVA Dual (IBS + CBS) pode ser comprometida se o governo não atingir metas de superávit primário.
Impacto Prático: 3 Riscos para o Seu Compliance Fiscal
- Congelamento de Incentivos Fiscais: Se o governo descumprir a meta de zerar o déficit primário em 2024 (e alcançar superávit de 0,5% do PIB em 2025), novos incentivos fiscais serão bloqueados. Isso inclui regimes especiais como o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), crítico para setores como energia e logística.
- Aumento de Custos com Obrigações Acessórias: As travas fiscais podem forçar o governo a revisar alíquotas do IBS e CBS para compensar a queda de arrecadação. Empresas do setor de serviços, que hoje operam com alíquotas reduzidas, podem enfrentar aumento de até 30% na carga tributária, segundo simulações da FGV.
- Paralisia de Investimentos Públicos: Com limites para reajustes salariais e contratações no setor público, licitações e parcerias público-privadas (PPPs) podem ser adiadas. Setores dependentes de infraestrutura, como construção civil e agronegócio, terão que recalcular prazos de ROI.
IVA Dual em Risco: O Que Diz a Lei Complementar
A Lei Complementar aprovada em 2023 prevê a substituição de PIS/Cofins e ICMS/ISS pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), com alíquotas estimadas em 25% (IBS) e 12% (CBS). No entanto, as travas do arcabouço fiscal podem:
- Adiar a transição para a não-cumulatividade plena, mantendo resíduos de cumulatividade em cadeias produtivas.
- Forçar o governo a criar um Imposto Seletivo (IS) sobre produtos como combustíveis e energia, elevando custos operacionais.
- Reduzir a previsibilidade das alíquotas, aumentando a complexidade do planejamento tributário.
Cenário para 2026: Como se Preparar
Com a vigência do IVA Dual prevista para 2026, empresas precisam antecipar:
- Revisão de Contratos: Cláusulas de reajuste devem prever variações de alíquotas do IBS/CBS e possíveis atrasos em incentivos fiscais.
- Sistemas de Compliance: Softwares de gestão tributária devem ser atualizados para calcular créditos do IVA Dual e monitorar mudanças em tempo real.
- Plano B para Investimentos: Empresas com projetos dependentes de PPPs devem diversificar fontes de financiamento, incluindo linhas de crédito privado.
O Que Esperar do Senado e do Executivo
O Senado, mais alinhado ao governo Lula, pode suavizar as travas fiscais, mas analistas alertam: a negociação com o Congresso exigirá concessões, como o aumento de emendas parlamentares (hoje em 2% da receita corrente). Para o setor privado, isso significa:
- Maior pressão por lobby regulatório para garantir exceções no Imposto Seletivo (IS).
- Aumento da incerteza jurídica até a aprovação final da Reforma Tributária.
- Necessidade de reservas de caixa para cobrir custos de adaptação ao IVA Dual.
Conclusão: O Custo da Instabilidade Fiscal
O arcabouço fiscal, concebido para dar previsibilidade, introduz novos riscos para o compliance tributário. Empresas que não se prepararem para variações nas alíquotas do IBS/CBS ou para a possível expansão do Imposto Seletivo podem enfrentar:
- Perda de competitividade em setores exportadores.
- Aumento de litígios com o Fisco.
- Redução de margens em segmentos com baixa elasticidade-preço.
Recomendação final: CFOs e contadores devem simular cenários de estresse para o IVA Dual, considerando atrasos na transição e mudanças nas travas fiscais. A janela para adaptação é curta: 2025 será o ano de ajustes definitivos.


