Carvão Mineral Escapa do IS na Reforma Tributária: Impactos no Setor Energético e Custos para Empresas

Reforma TributáriaAtualizado 07/05/2026, 15:35

Reforma tributária exclui carvão mineral do Imposto Seletivo (IS), gerando controvérsias e riscos para compliance fiscal e fluxo de caixa no setor energético.

Resposta direta

Reforma tributária exclui carvão mineral do Imposto Seletivo (IS), gerando controvérsias e riscos para compliance fiscal e fluxo de caixa no setor energético.

Perguntas-chave

  • O que Reforma Tributária muda na prática para o contribuinte?
  • Como Imposto Seletivo afeta planejamento e tomada de decisão?

O Que Muda para Empresas e Investidores com a Exclusão do Carvão Mineral do IS

A regulamentação da reforma tributária (PLP 68/24) trouxe uma surpresa para o setor energético: o carvão mineral foi excluído do Imposto Seletivo (IS), conhecido como "imposto do pecado", que visa taxar produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. A decisão, mantida nas versões mais recentes do texto, contrasta com a inclusão de outros combustíveis fósseis, como petróleo e gás natural, e levanta questões sobre compliance fiscal, custos operacionais e estratégias de transição energética.

Impacto Imediato: Fluxo de Caixa e Competitividade

Para empresas do setor de energia, a exclusão do carvão mineral do IS pode gerar:

  • Redução de custos diretos: Termelétricas movidas a carvão não enfrentarão a alíquota adicional do IS, que poderia chegar a 1% sobre operações com bens minerais, conforme o relatório mais recente.
  • Vantagem competitiva: Enquanto petróleo e gás natural sofrem incidência do IS, o carvão mantém-se isento, beneficiando usinas termelétricas no Sul do Brasil.
  • Riscos reputacionais: A decisão pode atrair críticas de investidores ESG e órgãos reguladores, exigindo adaptações em relatórios de sustentabilidade.

O Que Dizem os Especialistas: Conflito Entre Economia e Sustentabilidade

Fernando Zancan, presidente da Associação Brasileira do Carbono Sustentável, argumenta que a taxação do carvão aumentaria os custos da energia elétrica, contrariando a política de redução de tarifas do governo. "O carvão é essencial para a segurança energética do sistema nacional", afirma.

Em contrapartida, Anton Schwyter, gerente de energia do Instituto Arayara, destaca o impacto ambiental: "Termelétricas a carvão representam 17% da eletricidade do país, mas 30% das emissões de gases de efeito estufa. A exclusão do IS é um retrocesso em um país com potencial renovável."

Próximos Passos: Riscos e Oportunidades na Tramitação

O texto do PLP 68/24 ainda pode sofrer alterações antes da votação no plenário da Câmara, prevista para esta quarta-feira (10). Entre as emendas em análise:

  • Inclusão ou exclusão de produtos no IS, como protetor solar e planos de saúde animal.
  • Isenções para setores específicos, como "duty free" e construção civil.
  • Definição de alíquotas para carros elétricos e jogos de azar, também sujeitos ao IS.

Cronograma crítico:

  • 10/07: Votação na Câmara (regime de urgência).
  • 17/07: Início do recesso parlamentar.
  • 01/08: Retorno das atividades legislativas, com sessões esvaziadas devido às eleições municipais.

Checklist para Empresas: Como se Preparar

CFOs e contadores devem monitorar:

  • NCM do carvão mineral: Verifique se sua empresa opera com códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) listados no IS. Mesmo com a exclusão atual, emendas podem alterar o cenário.
  • Obrigações acessórias: Prepare-se para possíveis ajustes em sistemas de faturamento e declarações fiscais, caso o carvão seja incluído no IS em etapas futuras.
  • Planejamento tributário: Avalie o impacto da não-cumulatividade plena do IVA Dual (IBS + CBS) sobre insumos energéticos, mesmo com a isenção do IS.
  • Compliance ESG: Documente estratégias de mitigação de emissões para atender a investidores e reguladores, especialmente se sua empresa opera termelétricas.

Conclusão: Um Equilíbrio Delicado

A exclusão do carvão mineral do IS reflete a complexidade da reforma tributária, que busca equilibrar arrecadação, competitividade industrial e metas ambientais. Para empresas, o momento exige:

  • Análise de cenários: Considere os riscos de mudanças no texto final e seus efeitos no fluxo de caixa.
  • Advocacy estratégico: Acompanhe emendas e participe de consultas públicas para influenciar decisões que afetem seu setor.
  • Adaptação ágil: Mantenha sistemas e equipes preparados para ajustes rápidos em compliance fiscal.

Fique atento às atualizações do PLP 68/24. A votação desta semana pode definir o futuro tributário do setor energético brasileiro.