IBS e CBS: Fim dos regimes monofásicos de PIS/COFINS exige ação imediata de CFOs e contadores

IBSAtualizado 07/05/2026, 15:35

A extinção dos regimes monofásicos de PIS/COFINS pela Reforma Tributária (EC 132/2023) reconfigura a cadeia de valor. Saiba como se adaptar antes de 2026.

Resposta direta

A extinção dos regimes monofásicos de PIS/COFINS pela Reforma Tributária (EC 132/2023) reconfigura a cadeia de valor. Saiba como se adaptar antes de 2026.

Perguntas-chave

  • O que IBS muda na prática para o contribuinte?
  • Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?

O que muda no seu fluxo de caixa a partir de 2026

O fim dos regimes monofásicos de PIS e COFINS, previsto na Emenda Constitucional 132/2023 e detalhado no PLP 68/24, não é apenas uma alteração tributária — é uma reengenharia da cadeia de valor para setores como combustíveis, farmacêutico e bebidas. A partir de 2026, a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) substituirão os tributos atuais, eliminando a concentração da carga tributária no início da cadeia e introduzindo a não-cumulatividade plena. O impacto? Distribuidores e varejistas, que hoje operam com alíquota zero, terão que calcular débito e crédito da CBS em cada transação, com reflexos diretos no capital de giro e na precificação.

Setores em alerta: combustíveis, farmacêutico e bebidas lideram riscos

A transição para o IVA Dual afeta desproporcionalmente segmentos que hoje operam sob regime monofásico. Veja o impacto por elo da cadeia:

  • Fabricantes/Importadores:
    • Perda da desoneração nas etapas seguintes da cadeia;
    • Redução da carga tributária nominal sobre vendas diretas (alíquotas da CBS serão inferiores às atuais de PIS/COFINS monofásico);
    • Necessidade de revisão de contratos com distribuidores para repassar custos.
  • Distribuidores/Atacadistas/Varejistas:
    • Fim da alíquota zero: cálculo de débito da CBS sobre vendas e apuração de créditos;
    • Aumento da complexidade operacional (gestão de créditos por item, não mais por lote);
    • Revisão de margens, já que a carga tributária será distribuída ao longo da cadeia;
    • Adaptação de sistemas ERP para suportar a não-cumulatividade plena (ex: SAP, Totvs).

Setores críticos:

  • Combustíveis: Gasolina, diesel e GLP terão tributação pulverizada, com impacto no preço final ao consumidor;
  • Farmacêutico: Medicamentos e produtos de higiene perderão a isenção nas etapas posteriores à fabricação;
  • Bebidas: Cervejas e refrigerantes enfrentarão aumento de obrigações acessórias para varejistas.

Cronograma de adaptação: o que fazer agora

A EC 132/2023 prevê um período de transição, mas a fase de testes da CBS (alíquota de 0,3%) começa já em janeiro de 2026. Para evitar surpresas, sua empresa deve:

  1. Mapear produtos monofásicos:

    Identifique quais itens do seu portfólio estão sob regime monofásico hoje (ex: medicamentos da lista da ANVISA, combustíveis).

  2. Simular impacto financeiro:

    Utilize ferramentas como a Calculadora Simplificada da Reforma Tributária para projetar o efeito da CBS no seu fluxo de caixa. Considere:

    • Perda de créditos não aproveitados hoje;
    • Aumento de custos operacionais com compliance;
    • Variação de margens por produto.
  3. Revisar sistemas fiscais:

    Verifique se seu ERP está preparado para:

    • Cálculo automático da CBS por item (não mais por lote);
    • Gestão de créditos em tempo real;
    • Integração com o Repositório Nacional de Documentos Fiscais (DFe).
  4. Treinar equipes:

    Capacite colaboradores em:

    • Novas regras de apuração da CBS;
    • Gestão de créditos tributários;
    • Compliance com obrigações acessórias (ex: EFD-Reinf adaptada para o IVA Dual).
  5. Comunicar a cadeia:

    Alinhe expectativas com fornecedores e clientes sobre:

    • Mudanças em contratos comerciais;
    • Repasse de custos tributários;
    • Prazos de adaptação.

Riscos de não compliance: multas e perda de competitividade

A não adaptação às novas regras pode gerar:

  • Multas: A Receita Federal e os fiscos estaduais/municipais intensificarão fiscalizações sobre a apuração da CBS e do IBS. Erros na gestão de créditos podem resultar em autuações;
  • Perda de créditos: A não-cumulatividade plena exige controle rigoroso. Falhas na documentação podem levar à glosa de créditos;
  • Desvantagem competitiva: Empresas que não se adaptarem a tempo terão custos maiores com compliance, afetando preços e margens.

Ferramentas para mitigar riscos

Para navegar a transição, considere:

  • Automação fiscal:

    Soluções como GNRE automatizada e Caixa Postal Fiscal reduzem erros na apuração da CBS e do IBS;

  • Consultoria especializada:

    Advogados tributaristas e contadores com expertise em IVA Dual podem ajudar na revisão de contratos e na modelagem de créditos;

  • Tecnologia de gestão:

    ERPs com módulos fiscais atualizados para o IVA Dual (ex: SAP S/4HANA, Oracle NetSuite).

Conclusão: planejamento é a chave para a transição

A extinção dos regimes monofásicos de PIS/COFINS é uma das mudanças mais disruptivas da Reforma Tributária. Enquanto fabricantes podem se beneficiar da redução da carga tributária nominal, distribuidores e varejistas enfrentarão um aumento significativo de complexidade operacional. O segredo para minimizar riscos está no planejamento antecipado:

  • Comece agora a mapear produtos e simular impactos;
  • Invista em tecnologia e treinamento;
  • Alinhe-se com sua cadeia de suprimentos.

Empresas que agirem proativamente terão vantagem competitiva no novo cenário fiscal brasileiro. A janela de adaptação é curta — e 2026 está mais perto do que parece.