IBS e CBS: Fim dos regimes monofásicos de PIS/COFINS exige ação imediata de CFOs e contadores
A extinção dos regimes monofásicos de PIS/COFINS pela Reforma Tributária (EC 132/2023) reconfigura a cadeia de valor. Saiba como se adaptar antes de 2026.
Resposta direta
A extinção dos regimes monofásicos de PIS/COFINS pela Reforma Tributária (EC 132/2023) reconfigura a cadeia de valor. Saiba como se adaptar antes de 2026.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda no seu fluxo de caixa a partir de 2026
O fim dos regimes monofásicos de PIS e COFINS, previsto na Emenda Constitucional 132/2023 e detalhado no PLP 68/24, não é apenas uma alteração tributária — é uma reengenharia da cadeia de valor para setores como combustíveis, farmacêutico e bebidas. A partir de 2026, a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) substituirão os tributos atuais, eliminando a concentração da carga tributária no início da cadeia e introduzindo a não-cumulatividade plena. O impacto? Distribuidores e varejistas, que hoje operam com alíquota zero, terão que calcular débito e crédito da CBS em cada transação, com reflexos diretos no capital de giro e na precificação.
Setores em alerta: combustíveis, farmacêutico e bebidas lideram riscos
A transição para o IVA Dual afeta desproporcionalmente segmentos que hoje operam sob regime monofásico. Veja o impacto por elo da cadeia:
- Fabricantes/Importadores:
- Perda da desoneração nas etapas seguintes da cadeia;
- Redução da carga tributária nominal sobre vendas diretas (alíquotas da CBS serão inferiores às atuais de PIS/COFINS monofásico);
- Necessidade de revisão de contratos com distribuidores para repassar custos.
- Distribuidores/Atacadistas/Varejistas:
- Fim da alíquota zero: cálculo de débito da CBS sobre vendas e apuração de créditos;
- Aumento da complexidade operacional (gestão de créditos por item, não mais por lote);
- Revisão de margens, já que a carga tributária será distribuída ao longo da cadeia;
- Adaptação de sistemas ERP para suportar a não-cumulatividade plena (ex: SAP, Totvs).
Setores críticos:
- Combustíveis: Gasolina, diesel e GLP terão tributação pulverizada, com impacto no preço final ao consumidor;
- Farmacêutico: Medicamentos e produtos de higiene perderão a isenção nas etapas posteriores à fabricação;
- Bebidas: Cervejas e refrigerantes enfrentarão aumento de obrigações acessórias para varejistas.
Cronograma de adaptação: o que fazer agora
A EC 132/2023 prevê um período de transição, mas a fase de testes da CBS (alíquota de 0,3%) começa já em janeiro de 2026. Para evitar surpresas, sua empresa deve:
- Mapear produtos monofásicos:
Identifique quais itens do seu portfólio estão sob regime monofásico hoje (ex: medicamentos da lista da ANVISA, combustíveis).
- Simular impacto financeiro:
Utilize ferramentas como a Calculadora Simplificada da Reforma Tributária para projetar o efeito da CBS no seu fluxo de caixa. Considere:
- Perda de créditos não aproveitados hoje;
- Aumento de custos operacionais com compliance;
- Variação de margens por produto.
- Revisar sistemas fiscais:
Verifique se seu ERP está preparado para:
- Cálculo automático da CBS por item (não mais por lote);
- Gestão de créditos em tempo real;
- Integração com o Repositório Nacional de Documentos Fiscais (DFe).
- Treinar equipes:
Capacite colaboradores em:
- Novas regras de apuração da CBS;
- Gestão de créditos tributários;
- Compliance com obrigações acessórias (ex: EFD-Reinf adaptada para o IVA Dual).
- Comunicar a cadeia:
Alinhe expectativas com fornecedores e clientes sobre:
- Mudanças em contratos comerciais;
- Repasse de custos tributários;
- Prazos de adaptação.
Riscos de não compliance: multas e perda de competitividade
A não adaptação às novas regras pode gerar:
- Multas: A Receita Federal e os fiscos estaduais/municipais intensificarão fiscalizações sobre a apuração da CBS e do IBS. Erros na gestão de créditos podem resultar em autuações;
- Perda de créditos: A não-cumulatividade plena exige controle rigoroso. Falhas na documentação podem levar à glosa de créditos;
- Desvantagem competitiva: Empresas que não se adaptarem a tempo terão custos maiores com compliance, afetando preços e margens.
Ferramentas para mitigar riscos
Para navegar a transição, considere:
- Automação fiscal:
Soluções como GNRE automatizada e Caixa Postal Fiscal reduzem erros na apuração da CBS e do IBS;
- Consultoria especializada:
Advogados tributaristas e contadores com expertise em IVA Dual podem ajudar na revisão de contratos e na modelagem de créditos;
- Tecnologia de gestão:
ERPs com módulos fiscais atualizados para o IVA Dual (ex: SAP S/4HANA, Oracle NetSuite).
Conclusão: planejamento é a chave para a transição
A extinção dos regimes monofásicos de PIS/COFINS é uma das mudanças mais disruptivas da Reforma Tributária. Enquanto fabricantes podem se beneficiar da redução da carga tributária nominal, distribuidores e varejistas enfrentarão um aumento significativo de complexidade operacional. O segredo para minimizar riscos está no planejamento antecipado:
- Comece agora a mapear produtos e simular impactos;
- Invista em tecnologia e treinamento;
- Alinhe-se com sua cadeia de suprimentos.
Empresas que agirem proativamente terão vantagem competitiva no novo cenário fiscal brasileiro. A janela de adaptação é curta — e 2026 está mais perto do que parece.
Fontes originais:


