IBS e CBS em 2026: Como as alíquotas-teste vão impactar seu fluxo de caixa e compliance fiscal
O período de testes da Reforma Tributária em 2026 exige escrituração de IBS e CBS sem recolhimento. Empresas devem se adaptar a novos sistemas para evitar custos e riscos futuros.
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- Não-cumulatividade
- Lei Complementar 214/2025
- Fluxo de Caixa
- Custos de Adaptação

Resposta direta
O período de testes da Reforma Tributária em 2026 exige escrituração de IBS e CBS sem recolhimento. Empresas devem se adaptar a novos sistemas para evitar custos e riscos futuros.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
IBS e CBS em 2026: Como as alíquotas-teste vão impactar seu fluxo de caixa e compliance fiscal
O período de testes da Reforma Tributária começa em 2026 com uma regra clara: as empresas deverão escriturar IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) nas notas fiscais, mas não recolherão os tributos. A medida, prevista na Lei Complementar 214/2025 (art. 348, §1º), visa validar o novo modelo de IVA Dual antes da vigência plena em 2027. Porém, a dispensa de pagamento não significa ausência de custos: a adaptação aos novos sistemas e obrigações acessórias exigirá investimentos imediatos em tecnologia e treinamento.
Alíquotas-teste: simbólicas no papel, desafiadoras na prática
Em 2026, as alíquotas serão de 0,1% para o IBS e 0,9% para a CBS, com reduções setoriais específicas. Veja como ficam os percentuais após os descontos:
- Bares e restaurantes: IBS 0,06% | CBS 0,54%
- Educação: IBS 0,00% | CBS 0,36%
- Profissionais liberais: IBS 0,07% | CBS 0,63%
- Transporte coletivo urbano: IBS 0,00% | CBS 0,00%
Apesar de não gerarem débito, essas alíquotas exigirão a emissão de notas fiscais no novo padrão, a separação da apuração dos tributos e o envio de informações para os sistemas centrais do IBS e CBS. A não-cumulatividade plena do novo modelo também demandará ajustes nos processos de crédito tributário.
Impacto no fluxo de caixa e custos de adaptação
Mesmo sem pagamento efetivo, as empresas enfrentarão três principais desafios financeiros e operacionais:
- Custos de conformidade: Atualização de ERPs, integração com módulos fiscais e treinamento de equipes. Estimativas indicam que empresas de médio porte podem gastar entre R$ 50 mil e R$ 200 mil nessa fase.
- Riscos de retrabalho: Erros na escrituração, mesmo sem débito, podem gerar inconsistências nos registros e exigir correções futuras, aumentando o custo operacional.
- Preparação para 2027: A falta de adaptação em 2026 pode resultar em dificuldades de integração quando as alíquotas plenas entrarem em vigor, com possíveis penalidades por descumprimento.
Obrigações acessórias: o que sua empresa precisa fazer agora
A LC 214/2025 estabelece que, durante o período de testes, as empresas deverão:
- Emitir DF-e (Documentos Fiscais Eletrônicos) no novo layout, com discriminação do IBS e CBS;
- Manter escrituração fiscal separada para os novos tributos, mesmo sem débito;
- Enviar informações para os sistemas centrais do IBS e CBS dentro dos prazos estabelecidos;
- Garantir a rastreabilidade dos créditos tributários para aproveitamento futuro.
Empresas que não se adequarem correm o risco de perder créditos tributários e enfrentar dificuldades na transição para o regime definitivo em 2027.
Setores mais afetados: onde os custos serão maiores
Alguns segmentos terão desafios adicionais devido às particularidades do novo modelo:
- Serviços: Maior complexidade na apuração do IBS e CBS, com necessidade de revisão de contratos e precificação;
- Varejo: Adequação de sistemas de frente de caixa (PDV) para emissão de NFC-e com os novos tributos;
- Indústria: Gestão de créditos tributários em cadeias longas de produção, com impacto na não-cumulatividade;
- Profissionais liberais: Dificuldade em segregar receitas tributáveis e não tributáveis no novo regime.
Checklist para 2026: como se preparar
Para evitar surpresas, sua empresa deve iniciar a preparação ainda em 2025. Confira as ações prioritárias:
- Avalie seu ERP: Verifique se o sistema está preparado para a escrituração do IBS e CBS e se há necessidade de atualizações ou substituição;
- Treine sua equipe: Capacite contadores e fiscais nas novas regras, especialmente sobre não-cumulatividade plena e apuração de créditos;
- Revise processos: Mapeie os fluxos de emissão de notas fiscais, apuração e envio de informações para os sistemas centrais;
- Simule cenários: Faça projeções de impacto das alíquotas-teste no seu fluxo de caixa e nos custos de conformidade;
- Consulte especialistas: Busque assessoria tributária para identificar riscos específicos do seu setor e evitar inconformidades.
O que vem depois de 2026: alíquotas plenas e o IS
Em 2027, as alíquotas-teste serão substituídas pelas alíquotas plenas do IBS e CBS, estimadas entre 25% e 27% (com variações setoriais). Além disso, entrará em vigor o Imposto Seletivo (IS), com incidência sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. As empresas que não se prepararem em 2026 enfrentarão dificuldades na apuração, perda de créditos e riscos de autuações.
Conclusão: 2026 é o ano de se preparar, não de esperar
O período de testes das alíquotas da Reforma Tributária não é uma fase opcional, mas uma oportunidade estratégica para ajustar processos, treinar equipes e evitar custos desnecessários. Empresas que tratarem 2026 como um laboratório de compliance estarão à frente da concorrência quando o novo regime entrar em vigor. O momento de agir é agora.
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