IBS e CBS: Como a exclusão da cesta básica estendida impacta fluxo de caixa e compliance em 2026
Relator da Reforma Tributária defende isenção limitada da cesta básica e cashback para baixa renda. Entenda os riscos para empresas e novas obrigações acessórias.
Resposta direta
Relator da Reforma Tributária defende isenção limitada da cesta básica e cashback para baixa renda. Entenda os riscos para empresas e novas obrigações acessórias.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda para empresas a partir de 2026 com a nova regra do IVA Dual
Empresas dos setores de varejo, alimentos e serviços precisam se preparar para uma mudança crítica na Reforma Tributária: a exclusão da cesta básica estendida e a adoção de um modelo de isenção limitada para a Cesta Básica Nacional, combinada com o mecanismo de cashback para famílias de baixa renda. A decisão, defendida pelo relator da Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), tem impacto direto no fluxo de caixa, nos custos de adaptação e nas novas obrigações acessórias sob o regime do IVA Dual (IBS + CBS).
Impacto imediato: Fluxo de caixa e custos de compliance
- Eliminação da cesta estendida (40% de alíquota reduzida):
Produtos que seriam beneficiados com alíquota reduzida (equivalente a 40% da padrão do IVA) agora ficarão sujeitos à alíquota cheia do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Isso aumenta a carga tributária sobre itens como higiene pessoal, limpeza e alimentos processados, afetando margens e preços finais.
- Cashback como alternativa:
O relator propõe substituir a cesta estendida pelo cashback, mecanismo de devolução de tributos para famílias de baixa renda. Para empresas, isso significa:
- Novas obrigações acessórias: Sistemas de emissão de notas fiscais e ERPs precisarão ser adaptados para registrar e reportar dados de cashback, com risco de multas por não conformidade.
- Complexidade operacional: A integração com plataformas governamentais para validação de beneficiários exigirá investimentos em tecnologia e treinamento.
- Regulamentação via Lei Complementar (PLP 68/24):
A definição dos produtos da Cesta Básica Nacional e dos critérios do cashback será detalhada em lei complementar, com prazo de adaptação curto. Empresas devem monitorar a tramitação do PLP 68/24 para evitar surpresas em 2026.
Riscos para setores específicos
- Varejo e supermercados:
Aumento de preços em produtos antes isentos ou com alíquota reduzida pode reduzir o consumo, especialmente em segmentos de baixa renda. Empresas devem revisar estratégias de precificação e promoções.
- Indústria de alimentos:
Produtos como óleos vegetais, massas e enlatados podem perder competitividade. A não-cumulatividade plena do IVA Dual exige revisão de cadeias de fornecimento para evitar acúmulo de créditos tributários.
- Serviços:
Embora menos afetados diretamente, prestadores de serviços devem preparar-se para o aumento da carga tributária indireta (ex: insumos e materiais de escritório).
Próximos passos: O que fazer agora
- Mapear produtos impactados:
Identifique quais itens da sua operação serão afetados pela exclusão da cesta estendida e pela isenção limitada da Cesta Básica Nacional.
- Revisar sistemas de compliance:
Atualize ERPs e softwares de emissão de notas fiscais para atender às novas regras de cashback e IVA Dual. Considere auditorias preventivas para evitar penalidades.
- Acompanhar a regulamentação:
Monitore a tramitação do PLP 68/24 e as definições da Receita Federal sobre obrigações acessórias. Participe de consultas públicas e fóruns setoriais.
- Planejar fluxo de caixa:
Simule cenários de impacto tributário para 2026, considerando o aumento de alíquotas em produtos antes beneficiados. Reserve recursos para investimentos em tecnologia e treinamento.
Cronograma crítico
- Dezembro/2023: Votação final da PEC na Câmara e promulgação da Reforma Tributária.
- 1º semestre/2024: Aprovação da Lei Complementar (PLP 68/24) com detalhes da Cesta Básica Nacional e cashback.
- 2025: Fase de testes e adaptação dos sistemas de empresas.
- Janeiro/2026: Início da vigência do IBS e CBS, com aplicação plena das novas regras.
Conclusão: Oportunidade ou risco?
A exclusão da cesta básica estendida simplifica o sistema tributário, mas aumenta a carga sobre empresas e consumidores. Para mitigar riscos, é essencial:
- Antecipar adaptações tecnológicas e operacionais.
- Revisar contratos com fornecedores para evitar passivos tributários.
- Engajar-se em discussões setoriais para influenciar a regulamentação final.
Empresas que agirem agora terão vantagem competitiva na transição para o novo regime. Aquelas que ignorarem as mudanças enfrentarão custos adicionais, multas e perda de mercado.


