IBS e CBS: Como a Reforma Tributária remodela o fluxo de caixa das imobiliárias a partir de 2026
Setor imobiliário enfrenta mudanças drásticas no compliance fiscal: split payment, créditos tributários e alíquotas reduzidas. Saiba como se adaptar.
Resposta direta
Setor imobiliário enfrenta mudanças drásticas no compliance fiscal: split payment, créditos tributários e alíquotas reduzidas. Saiba como se adaptar.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda no dia 1º de janeiro de 2026 para imobiliárias
O fim do PIS, Cofins e ISS marca o início do IVA Dual no Brasil, com a entrada em vigor do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços). Para imobiliárias, as mudanças vão além da substituição de tributos: impactam diretamente o fluxo de caixa, a gestão de créditos tributários e a estrutura de custos operacionais. Segundo análise da CUPOLA e Contimob, baseada na Lei Complementar aprovada, três pontos exigirão atenção imediata:
- Split Payment: O cliente poderá optar por dividir o pagamento entre a imobiliária e o Fisco no ato da transação, garantindo crédito imediato. Isso elimina a espera pelo recolhimento, mas exige sistemas financeiros preparados para a nova obrigação acessória.
- Créditos Tributários: A não-cumulatividade plena permite abater IBS e CBS pagos em insumos (energia, software, serviços terceirizados) do imposto devido sobre vendas. Exemplo prático: se uma imobiliária paga R$ 250 de IBS/CBS em limpeza e cobra R$ 700 em serviços de intermediação, recolherá apenas R$ 450.
- Regimes Específicos: Locações residenciais terão redução de 70% nas alíquotas e abatimento fixo de R$ 600/mês na base de cálculo. Já as vendas de imóveis, a partir de 2027, contarão com redutores de R$ 100 mil (residencial novo) e R$ 30 mil (lotes).
Impacto no financeiro: da operação à estratégia
"O departamento financeiro deixa de ser operacional e se torna estratégico", alerta Franciele Rocha, CEO da Contimob. A gestão de créditos tributários e a adaptação ao split payment exigirão profissionais capacitados em compliance fiscal e sistemas integrados. Dioner Segala, sócio da CUPOLA, reforça: "As imobiliárias precisam se preparar antes de atender clientes. É como no avião: coloque sua máscara de oxigênio primeiro".
Para pessoas físicas, a tributação incidirá apenas se a receita anual com locação superar R$ 240 mil (ou R$ 288 mil no ano corrente), com mais de três imóveis distintos. A regra entra em vigor já em 2026, enquanto as vendas de imóveis terão as novas regras aplicadas apenas em 2027.
Custos de adaptação: o que considerar no budget 2025
A transição para o novo modelo exigirá investimentos em:
- Tecnologia: Sistemas de emissão de notas fiscais compatíveis com IBS/CBS e split payment (previsão de custo: 15-20% do orçamento de TI).
- Treinamento: Capacitação de equipes em não-cumulatividade e gestão de créditos (orçamento sugerido: 2-3% da folha de pagamento).
- Consultoria: Revisão de contratos e processos para evitar riscos de bitributação ou perda de créditos (contratos com consultorias tributárias podem chegar a R$ 50 mil/ano para médias empresas).
Checklist de compliance para 2026
Imobiliárias devem iniciar a adaptação ainda em 2025. Confira os passos essenciais:
- Mapeie operações: Identifique todas as transações sujeitas a IBS/CBS (locação, venda, intermediação).
- Revise contratos: Atualize cláusulas para destacar impostos fora do preço (exigência do novo modelo).
- Teste sistemas: Simule o split payment e a emissão de notas com destaque de IBS/CBS.
- Treine equipes: Capacite financeiro e jurídico em regimes específicos e gestão de créditos.
- Projete cenários: Calcule o impacto das alíquotas reduzidas e redutores no fluxo de caixa.
O que não fazer: erros comuns na transição
Especialistas alertam para armadilhas que podem comprometer a eficiência tributária:
- Ignorar créditos: Não aproveitar a não-cumulatividade plena pode aumentar a carga tributária em até 30%.
- Subestimar o split payment: Sistemas não adaptados podem gerar multas por recolhimento incorreto.
- Esquecer os redutores: Vendas de imóveis sem aplicação dos redutores (R$ 100 mil/R$ 30 mil) resultam em tributação excessiva.
Ferramentas e recursos para se preparar
A CUPOLA e a Contimob disponibilizaram um guia prático com simulações e modelos de notas fiscais adaptadas. Além disso, recomenda-se:
- Participar de lives técnicas sobre o tema (como a realizada no "Financeiro Essencial").
- Consultar a PLP 68/24 para detalhes sobre regimes específicos.
- Utilizar softwares de gestão tributária com módulo de IVA Dual.
Perspectivas para o setor
A Reforma Tributária promete simplificar o sistema, mas a transição será desafiadora. "Empresas que se anteciparem terão vantagem competitiva", afirma Franciele Rocha. O Imposto Seletivo (IS), que incidirá sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, não afetará diretamente as imobiliárias, mas pode impactar custos de insumos.
Próximos passos: Acompanhe as regulamentações estaduais e municipais do IBS, que definirão alíquotas locais. A expectativa é que as primeiras definições sejam publicadas até junho de 2025.


