IBS e CBS: Como a Reforma Tributária vai redefinir o fluxo de caixa das empresas de Serviços a partir de 2026

IBSAtualizado 07/05/2026, 15:35

Especialistas alertam: setor de serviços enfrentará aumento de custos operacionais e novas obrigações acessórias com a implementação do IVA Dual. Saiba como se preparar.

Resposta direta

Especialistas alertam: setor de serviços enfrentará aumento de custos operacionais e novas obrigações acessórias com a implementação do IVA Dual. Saiba como se preparar.

Perguntas-chave

  • O que IBS muda na prática para o contribuinte?
  • Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?

O que muda no dia 1º de janeiro de 2026 para o setor de Serviços?

Empresas prestadoras de serviços terão que recalcular seu fluxo de caixa e estrutura de custos com a entrada em vigor do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), pilares do novo IVA Dual estabelecido pela Lei Complementar 207/2024. O alerta foi feito por especialistas durante o evento "Reforma Tributária: Impactos para Profissionais Liberais", promovido pelo CRC-SP e CRECISP em 28/03/2025.

Três impactos imediatos para o setor

  • Fim da cumulatividade parcial: A não-cumulatividade plena do IBS e CBS eliminará créditos tributários parciais, exigindo revisão de contratos e precificação. "Empresas que hoje se beneficiam de regimes como o Simples Nacional terão que repensar sua estratégia", afirmou Anderson de Moura, advogado tributarista presente no evento.
  • Novas obrigações acessórias: A migração para o Sistema Nacional de Gestão de Tributos (SNGT) demandará investimentos em compliance digital. "O prazo para adaptação é curto: até 2026, todas as empresas deverão estar integradas ao sistema", destacou Josué Pereira, contador e palestrante.
  • Imposto Seletivo (IS): Serviços como telecomunicações e energia poderão sofrer incidência adicional do IS, elevando a carga tributária em até 1,5% sobre o valor da operação.

Custos de adaptação: o que os CFOs precisam saber

Segundo Antônio Carlos Souza dos Santos, presidente da Comissão de Estudos Tributários do CRC-SP, os custos de transição podem variar entre 0,5% e 2% do faturamento anual, dependendo do porte da empresa. Os principais gastos incluem:

  • Revisão de sistemas ERP para compatibilidade com o SNGT;
  • Treinamento de equipes em novas regras de apuração;
  • Contratação de consultorias especializadas em IVA Dual.

Checklist para compliance em 2025

Para evitar multas e otimizar a transição, os especialistas recomendam:

  1. Mapear créditos tributários: Identificar quais créditos atuais serão mantidos ou perdidos com a não-cumulatividade plena.
  2. Simular cenários: Usar ferramentas de business intelligence para projetar o impacto do IBS e CBS no EBITDA.
  3. Revisar contratos: Cláusulas de repasse de tributos devem ser atualizadas para refletir a nova realidade.
  4. Capacitar a equipe: Priorizar treinamentos em SPED Fiscal e SNGT.

O que ficou de fora do debate?

Apesar da profundidade técnica, o evento não abordou dois pontos críticos:

  • A falta de clareza sobre a alíquota padrão do IBS (ainda em discussão no PLP 68/24);
  • Os riscos de contencioso tributário durante a fase de transição, especialmente para empresas com operações interestaduais.

"A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de alíquotas, mas uma transformação no modelo de negócios. Quem não se preparar agora, pagará caro em 2026", concluiu João Carlos Castilho Garcia, presidente do CRC-SP.