IBS e CBS: Como a Reforma Tributária ameaça a margem dos escritórios de contabilidade a partir de 2026

IBSAtualizado 08/05/2026, 13:48

Estudo do CFC revela riscos de aumento de carga tributária e informalidade no setor contábil com o IVA Dual. Veja o que fazer agora para evitar surpresas no fluxo de caixa.

Resposta direta

Estudo do CFC revela riscos de aumento de carga tributária e informalidade no setor contábil com o IVA Dual. Veja o que fazer agora para evitar surpresas no fluxo de caixa.

Perguntas-chave

  • O que IBS muda na prática para o contribuinte?
  • Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?

O que muda no dia seguinte à implementação do IBS e CBS para escritórios de contabilidade

O Conselho Federal de Contabilidade (CFC) divulgou um estudo técnico exclusivo que expõe os riscos concretos da Reforma Tributária (PEC 45-A/2019, convertida na Emenda Constitucional 132/2023) para empresas de serviços contábeis. Com a substituição de PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS pelo IVA Dual — composto pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) —, o setor enfrenta três desafios imediatos:

  • Elevação da carga tributária: O estudo aponta para um aumento potencial de custos devido à não-cumulatividade plena, especialmente para empresas que hoje se beneficiam de regimes especiais (como o Simples Nacional). A alíquota efetiva do IBS + CBS pode superar os atuais 5,65% (PIS/COFINS) + ISS (até 5%), dependendo da regulamentação infraconstitucional.
  • Fluxo de caixa em risco: A transição para o novo sistema exige adaptações nos sistemas de faturamento e contabilidade até 2026, com custos estimados entre R$ 50 mil e R$ 200 mil para escritórios de médio porte. A não-cumulatividade plena exigirá controle rigoroso de créditos tributários, sob pena de perdas financeiras.
  • Novas obrigações acessórias: A Lei Complementar 190/2022 e o PLP 68/2024 preveem a criação de um sistema unificado de declarações, com prazos mais curtos e penalidades severas para erros. Escritórios terão que investir em compliance fiscal para evitar autuações.

Pontos cegos da Reforma: O que o CFC alerta que o governo não esclareceu

O relatório do CFC destaca quatro lacunas críticas que podem impactar diretamente a operação dos escritórios de contabilidade:

  • Alíquotas indefinidas: A ausência de definição das alíquotas do IBS e CBS (previstas para serem fixadas em Lei Complementar) gera insegurança jurídica. O estudo simula cenários com alíquotas entre 20% e 27%, o que poderia dobrar a carga tributária para alguns serviços.
  • Falta de estudos de impacto: Não há análises oficiais sobre como a Reforma afetará setores específicos, como o contábil. O CFC recomenda que empresas realizem projeções financeiras customizadas para evitar surpresas.
  • Risco de informalidade: O aumento de custos pode levar à migração para a informalidade ou redução de postos de trabalho, especialmente em escritórios menores. O estudo estima uma queda de até 15% na geração de empregos formais no setor.
  • Controle de créditos tributários: A não-cumulatividade plena exige um sistema robusto de gestão de créditos, sob pena de perdas irrecuperáveis. Escritórios terão que revisar contratos e processos para garantir o aproveitamento integral dos créditos.

Checklist: O que fazer agora para se preparar

Com a implementação do IBS e CBS prevista para 2026, o CFC recomenda que escritórios de contabilidade adotem as seguintes medidas:

  • Auditoria tributária prévia: Mapear os impactos da Reforma no fluxo de caixa e na margem de lucro, considerando diferentes cenários de alíquotas.
  • Atualização de sistemas: Investir em softwares de gestão tributária compatíveis com o IVA Dual, com módulos para controle de créditos e obrigações acessórias.
  • Treinamento de equipes: Capacitar colaboradores em compliance fiscal e novas regras de apuração do IBS e CBS.
  • Revisão de contratos: Adequar cláusulas de repasse de custos tributários e revisar contratos com clientes para evitar perdas financeiras.
  • Monitoramento legislativo: Acompanhar a tramitação do PLP 68/2024 e outras normas infraconstitucionais que detalharão as regras do IBS e CBS.

O que o governo não está dizendo (e por que você deve se preocupar)

O estudo do CFC revela que a Reforma Tributária pode aumentar a complexidade para o setor contábil, ao contrário do discurso oficial de simplificação. Entre os pontos críticos:

  • Fim dos benefícios do Simples Nacional: Escritórios optantes pelo Simples podem enfrentar uma carga tributária maior com o IVA Dual, dependendo da regulamentação.
  • Imposto Seletivo (IS): A criação do IS (sobre produtos prejudiciais à saúde e ao meio ambiente) pode onerar serviços indiretos, como consultorias ambientais.
  • Transição caótica: A falta de um cronograma claro para a migração dos sistemas estaduais e municipais para o IBS pode gerar dupla tributação temporária.

Para acessar o estudo completo do CFC, clique aqui.

Conclusão: A janela de adaptação está se fechando

Com a Reforma Tributária já em vigor na Constituição, o prazo para adaptação é curto. Escritórios de contabilidade que não iniciarem agora a revisão de processos e sistemas correm o risco de enfrentar perdas financeiras, autuações fiscais e perda de competitividade. A recomendação do CFC é clara: planejamento tributário proativo e investimento em compliance são as únicas formas de mitigar os impactos do IBS e CBS.