IBS e CBS: Como a regulamentação aprovada pelo Senado impacta fluxo de caixa e compliance em 2026

IBSAtualizado 07/05/2026, 15:35

Senado aprova PLP 108/24 com mudanças críticas no IBS, CBS e IS. Entenda os riscos de cash flow, novas obrigações acessórias e prazos para adaptação até 2033.

Resposta direta

Senado aprova PLP 108/24 com mudanças críticas no IBS, CBS e IS. Entenda os riscos de cash flow, novas obrigações acessórias e prazos para adaptação até 2033.

Perguntas-chave

  • O que IBS muda na prática para o contribuinte?
  • Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?

O que muda para empresas a partir de 2026 com a regulamentação do IBS e CBS

O Senado aprovou nesta terça-feira (30/09) o substitutivo do senador Eduardo Braga (MDB-AM) ao PLP 108/24, que regulamenta a segunda fase da Reforma Tributária (EC 132). O texto, que retorna à Câmara dos Deputados com 65 emendas acatadas, estabelece regras definitivas para o IVA Dual (IBS + CBS), Imposto Seletivo (IS) e mecanismos como split payment e cashback. Para CFOs e gestores tributários, as mudanças trazem impactos imediatos em fluxo de caixa, custos de compliance e estratégias de precificação.

Impactos práticos: O que fazer agora

  • Transição do ICMS/ISS para IBS (2029-2033):
    • Alíquotas de referência do IBS serão calibradas com base em dados de 2024-2026, substituindo o período anterior (2012-2021).
    • Risco: Empresas do setor de serviços (ISS) e indústrias (ICMS) devem revisar contratos de longo prazo para evitar desequilíbrios financeiros.
    • Ação: Simular cenários de alíquotas com base nos dados de 2024-2025 para antecipar impactos.
  • Split Payment: Nova obrigação acessória com multas pesadas
    • O mecanismo determina que o valor do IBS/CBS seja separado automaticamente na transação, com parte direcionada ao Fisco.
    • Multas:
      • R$ 20 por transação não separada;
      • 3% ao mês sobre valores não repassados;
      • Suspensão de autorização do Banco Central para plataformas digitais reincidentes.
    • Ação: Adequar sistemas de pagamento e ERP até 2026 para evitar penalidades.
  • Plataformas Digitais: Responsabilidade solidária e substituição tributária
    • Marketplaces poderão ser responsabilizados por não emitir notas fiscais ou não repassar informações ao Fisco.
    • Prazo: 30 dias para emissão de nota fiscal após a operação. Após esse período, a plataforma é obrigada a emitir e recolher o imposto.
    • Ação: Revisar contratos com fornecedores e ajustar políticas de compliance para evitar riscos de sonegação.

Novas obrigações e riscos de compliance

  • Comitê Gestor do IBS (CG-IBS):
    • Órgão com independência técnica e orçamentária, responsável pela arrecadação e fiscalização do IBS.
    • Custos: Financiado pela União até 2028 (R$ 3,8 bilhões) e depois por percentuais da arrecadação do IBS (0,2% a partir de 2032).
    • Risco: Decisões do CG-IBS terão efeito vinculante para contribuintes que solicitarem orientações.
  • Câmara Nacional de Integração do Contencioso Administrativo:
    • Uniformizará jurisprudência sobre IBS e CBS, com julgamentos 100% eletrônicos.
    • Impacto: Redução de litígios, mas aumento da complexidade para empresas com operações em múltiplos estados.
  • Multas e Fiscalização:
    • Multa de ofício sobe para 100% em casos de fraude e 150% para reincidência.
    • Período de transição (2029-2033) terá caráter pedagógico, com prazo de 60 dias para regularização antes de penalidades.
    • Ação: Revisar processos internos de conformidade para evitar autuações.

Setores mais afetados: O que monitorar

  • Serviços:
    • Substituição do ISS pelo IBS exige revisão de contratos e precificação.
    • Dica: Simular impactos com alíquotas estimadas (ex: 25% para serviços).
  • Varejo e E-commerce:
    • Plataformas digitais terão que se adequar ao split payment e à responsabilidade solidária.
    • Dica: Implementar soluções de automação fiscal para evitar multas.
  • Combustíveis e Bebidas:
    • Tributação monofásica do ICMS será estendida para gasolina e diesel, com alíquotas unificadas.
    • Imposto Seletivo (IS): Limite de 2% para bebidas açucaradas e cigarros, com introdução gradual até 2033.
  • Futebol (SAFs):
    • Redução de alíquotas da CBS (1,5% → 1%) e IBS (3% → 1%) para receitas de direitos desportivos.
    • Dica: Aproveitar o benefício nos primeiros 5 anos de constituição da SAF.

Prazos críticos e próximos passos

  • 2025-2026: União financia o CG-IBS (R$ 3,8 bilhões). Empresas devem iniciar simulações de alíquotas.
  • 2029: Início da transição do ICMS/ISS para IBS, com calibragem gradual de alíquotas.
  • 2033: Extinção definitiva do ICMS e ISS, com IBS em vigor pleno.
  • 2034: Possibilidade de antecipação do ressarcimento de créditos de ICMS (240 parcelas).

Recomendações para CFOs e Contadores

  1. Mapear riscos de fluxo de caixa: Simular impactos do IBS/CBS em margens e precificação.
  2. Revisar contratos: Incluir cláusulas de revisão de preços para operações de longo prazo.
  3. Adequar sistemas: Implementar soluções de split payment e automação fiscal.
  4. Capacitar equipes: Treinar colaboradores em novas obrigações acessórias e compliance.
  5. Monitorar o PLP 108/24: Acompanhar alterações na Câmara dos Deputados para ajustar estratégias.

Fonte: Agência Senado (adaptado para inteligência de negócios e compliance fiscal).