IBS e CBS: Como a trava de 26,5% na alíquota máxima impacta seu fluxo de caixa a partir de 2026
Saiba como a trava de 26,5% na alíquota do IVA Dual (CBS e IBS) impacta seu fluxo de caixa a partir de 2026. Entenda os riscos para o compliance e o que fazer agora.
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Resposta direta
Saiba como a trava de 26,5% na alíquota do IVA Dual (CBS e IBS) impacta seu fluxo de caixa a partir de 2026. Entenda os riscos para o compliance e o que fazer agora.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda no seu negócio a partir de 2026 com a trava do IVA Dual
Aprovado na Câmara dos Deputados em 10 de julho, o PLP 68/2024 introduz uma trava de 26,5% para a soma das alíquotas da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), os pilares do novo IVA Dual brasileiro. A medida, não prevista no texto original enviado pelo governo, visa conter o aumento da carga tributária sobre o consumo, mas traz implicações críticas para empresas de setores com tratamento diferenciado.
Como a trava funciona e por que ela é um risco para seu compliance
O mecanismo prevê uma revisão quinquenal das alíquotas, com a primeira avaliação em 2030 e aplicação a partir de 2033 — ano em que o sistema atual (PIS, Cofins, ICMS, ISS) será totalmente substituído. Se a soma da CBS (federal) e do IBS (estadual/municipal) ultrapassar 26,5%, o governo deverá:
- • Propor aumento de alíquotas para setores com benefícios fiscais, como saúde, educação e profissionais liberais, para compensar o excesso;
- • Enviar projeto de lei complementar ao Congresso, submetendo empresas a novas obrigações acessórias e custos de adaptação;
- • Revisar descontos: Setores com redução de 60% (ex: saúde, agropecuária) pagariam 10,6% (contra 26,5% padrão), enquanto profissionais liberais (30% de desconto) teriam alíquota de 18,6%.
Impacto prático: Fluxo de caixa e custos de conformidade
Para CFOs e contadores, a trava introduz três riscos imediatos:
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Incerteza na precificação: Empresas de setores beneficiados (ex: clínicas médicas, escritórios de advocacia) devem modelar cenários com aumento de até 15,9 pontos percentuais na alíquota efetiva (de 10,6% para 26,5%).
Exemplo: Um hospital que hoje paga 5% de PIS/Cofins pode ter sua carga tributária mais que dobrada em 2033.
- Complexidade no crédito tributário: A não-cumulatividade plena do IVA Dual exige revisão de sistemas para garantir o crédito integral de impostos pagos na cadeia. Empresas com benefícios fiscais podem ter créditos limitados.
- Novas obrigações acessórias: O Comitê Gestor do IBS (formado por estados e municípios) terá poder para auditar alíquotas, exigindo documentação adicional para comprovar descontos.
Setores mais afetados: Quem deve se preparar já
A trava ameaça principalmente empresas que hoje contam com isenções ou reduções na carga tributária. Confira os segmentos em alerta:
- • Serviços de saúde e educação: Alíquota efetiva atual de 10,6% (60% de desconto). Risco de elevação para 26,5% em 2033;
- • Profissionais liberais (advogados, engenheiros, economistas): Alíquota atual de 18,6% (30% de desconto). Possível aumento para 26,5%;
- • Agropecuária e alimentos: Carnes foram incluídas na cesta básica isenta, mas outros produtos podem ter descontos reduzidos;
- • Indústria de dispositivos médicos: Desconto de 60% pode ser revisto.
O que fazer agora: Checklist para CFOs e contadores
Para mitigar riscos, especialistas recomendam:
- • Modelagem financeira: Simule cenários com alíquotas de 10,6%, 18,6% e 26,5% para avaliar impacto no EBITDA;
- • Revisão de contratos: Cláusulas de reajuste por mudança tributária devem ser incluídas em acordos de longo prazo;
- • Treinamento de equipes: Capacite times de compliance para lidar com o IVA Dual e a não-cumulatividade plena;
- • Monitoramento legislativo: Acompanhe propostas de lei complementar que possam alterar descontos setoriais.
Posicionamento dos especialistas
A advogada tributarista Mariana Valença avalia que a trava traz segurança jurídica, mas alerta:
"A trava de 26,5% evita surpresas, mas o governo terá margem para redistribuir a carga tributária. Setores beneficiados devem se preparar para um aumento gradual de impostos a partir de 2030."
Já a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) defende que o teto é necessário para conter distorções:
"O Brasil já tem um dos IVAs mais altos do mundo. Sem a trava, a alíquota poderia chegar a 27%, inviabilizando negócios."
Próximos passos: O que esperar do Senado
O PLP 68/24 segue para análise do Senado, onde pode sofrer alterações. Pontos de atenção:
- • Cesta básica: A inclusão de carnes como isentas (emenda do deputado Rodolfo Nogueira) pode ser revisada;
- • Imposto Seletivo (IS): A taxação de produtos nocivos (ex: cigarros, bebidas) ainda não está regulamentada;
- • Transição: Empresas terão até 2026 para se adaptar, mas a complexidade do IVA Dual exige planejamento imediato.
Conclusão: Prepare-se para a volatilidade
A trava de 26,5% é um mecanismo de contenção, mas não elimina riscos. Empresas de setores com benefícios fiscais devem:
- • Revisar estruturas societárias para otimizar créditos tributários;
- • Investir em tecnologia para compliance com o IVA Dual;
- • Manter reservas de caixa para absorver aumentos de alíquotas.
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