IBS e Imposto Seletivo: Como a Reforma Tributária vai encarecer energia, combustíveis e veículos a partir de 2027
Reforma tributária impõe sobretaxa de até 0,25% no petróleo e derivados via Imposto Seletivo, elevando custos de transporte e energia. Entenda os impactos no fluxo de caixa e compliance.
Resposta direta
Reforma tributária impõe sobretaxa de até 0,25% no petróleo e derivados via Imposto Seletivo, elevando custos de transporte e energia. Entenda os impactos no fluxo de caixa e compliance.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda para empresas e consumidores a partir de 2027
O Imposto Seletivo (IS), apelidado de "imposto do pecado", começa a incidir sobre petróleo, combustíveis, energia elétrica e veículos em 2027, adicionando uma sobretaxa de até 0,25% à alíquota-base do IVA Dual (IBS + CBS). Para CFOs e gestores, isso significa:
- Pressão no fluxo de caixa: A não-cumulatividade plena do IVA não compensará o custo adicional do IS, especialmente em setores intensivos em energia e logística.
- Efeito cascata na cadeia produtiva: O petróleo, insumo para plásticos, medicamentos e combustíveis, terá seu custo repassado ao longo da cadeia, elevando preços finais.
- Novas obrigações acessórias: A cobrança monofásica do IS em combustíveis exigirá ajustes nos sistemas de faturamento e compliance para evitar autuações.
Energia e telecomunicações: redução prometida, mas com ressalvas
O secretário da Reforma Tributária, Bernard Appy, defende que a substituição de ICMS, PIS/Cofins e ISS pelo IVA Dual reduzirá a carga tributária em setores como energia elétrica e telecomunicações, atualmente tributados em até 34,4% (ICMS de 18% + PIS/Cofins). Com a alíquota-base do IVA estimada em 28%, a promessa é de barateamento.
No entanto, especialistas alertam para o impacto indireto do IS:
- A advogada tributária Bianca Xavier (FGV) destaca que o petróleo, insumo para geração de energia e produção de plásticos, será sobretaxado, encarecendo até medicamentos.
- Estudo da FGV em parceria com o IBP aponta que uma alíquota de 0,3% no IS pode reduzir investimentos no setor de óleo e gás em R$ 5,89 bilhões e o PIB em R$ 2,6 bilhões até 2033.
- Se a sobretaxa subir para 1%, os impactos saltam para R$ 19,6 bilhões em investimentos e R$ 8,6 bilhões no PIB.
Combustíveis: cobrança monofásica e riscos de repasse
A reforma mantém a cobrança monofásica para combustíveis, com o IS incidindo sobre o petróleo (insumo) e o IVA sobre a gasolina (produto final). Na prática:
- O petróleo pagará IS + IVA (CBS + IBS).
- A gasolina pagará apenas o IVA, mas com o custo do petróleo já sobretaxado.
- Resultado: mesmo com alíquota-base de 26,5% a 28%, o preço final ao consumidor tende a subir.
A Abpip (Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo) alerta que o IS pode comprometer investimentos em campos maduros e na produção de gás natural, considerado "combustível da transição energética".
Veículos e embarcações: IS incide até sobre elétricos
O Imposto Seletivo também atingirá:
- Veículos automotores (inclusive elétricos, devido às baterias).
- Embarcações e jatinhos.
- Cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas.
A alíquota do IS para veículos será definida com base em critérios como:
- Potência e eficiência energética.
- Emissões de CO₂.
- Reciclabilidade dos materiais.
Carros e embarcações considerados "sustentáveis" poderão ter alíquota zero, mas a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) alerta que o IS elevará preços e reduzirá vendas, afetando empregos e a economia.
Exceções polêmicas: Zona Franca de Manaus e exportação de minerais
A Lei Complementar aprovada (PLP 68/24) isentou o refino de petróleo na Zona Franca de Manaus do IS, gerando críticas de entidades como a Firjan e a Fecombustíveis. Argumentos:
- A medida cria desequilíbrio concorrencial, beneficiando indústrias da região Norte em detrimento de outras.
- A Firjan, que representa o Rio de Janeiro (responsável por 87% da produção nacional de petróleo), classificou a decisão como "inconcebível".
Outra exceção foi a retirada da exportação de minerais da lista do IS, mantendo apenas a alíquota-base do IVA.
O que fazer agora: checklist para empresas
Para se preparar para as mudanças, CFOs e contadores devem:
- Mapear cadeias de suprimentos: Identificar produtos e serviços impactados pelo IS (petróleo, energia, veículos).
- Revisar contratos: Avaliar cláusulas de repasse de custos tributários para clientes e fornecedores.
- Atualizar sistemas: Adaptar softwares de faturamento e compliance para a cobrança monofásica do IS em combustíveis.
- Simular cenários: Projetar impactos no fluxo de caixa com diferentes alíquotas do IS (0,25% a 1%).
- Acompanhar regulamentação: Monitorar definições de alíquotas e critérios de enquadramento para veículos e embarcações.
Conclusão: equilíbrio incerto e riscos para a competitividade
Enquanto o governo promete redução de preços em energia e telecomunicações, o IS ameaça elevar custos em setores-chave como transporte, logística e indústria. Para empresas, o desafio será mitigar o impacto no fluxo de caixa e se adaptar às novas regras sem perder competitividade.
Palavras-chave: IBS, CBS, Imposto Seletivo, IVA Dual, Reforma Tributária 2027, compliance fiscal, fluxo de caixa, não-cumulatividade plena.


