Cesta Básica na Mira da Reforma Tributária: Como o ICMS Atual Impacta seu Fluxo de Caixa e o que Esperar até 2033
Estudo da ABRAS revela disparidades estaduais no ICMS da cesta básica e alerta para custos ocultos na transição para o IBS/CBS. Saiba como se preparar.
Resposta direta
Estudo da ABRAS revela disparidades estaduais no ICMS da cesta básica e alerta para custos ocultos na transição para o IBS/CBS. Saiba como se preparar.
Perguntas-chave
- O que Reforma Tributária muda na prática para o contribuinte?
- Como ICMS afeta planejamento e tomada de decisão?
O Que Muda para Empresas do Varejo Alimentar a Partir de 2025
A Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) lançou um estudo técnico inédito que expõe as distorções do ICMS sobre a Cesta Básica Nacional de Alimentos (CBNA) e antecipa os desafios da Reforma Tributária para o setor. Com a implementação do IVA Dual (IBS + CBS) prevista para 2026–2033, empresas precisam entender desde já os impactos no fluxo de caixa, compliance fiscal e custos operacionais.
Disparidades Estaduais: O Risco de Perder Competitividade
O levantamento da ABRAS revela um cenário de assimetria tributária entre os estados, com alíquotas de ICMS variando de 0% a 23% para produtos essenciais como arroz, feijão e carnes. Confira os principais achados:
- 19 estados aumentaram alíquotas modais durante a tramitação da reforma (2023–2025), contrariando o objetivo de simplificação. Exemplo: Maranhão (18% → 22%).
- Estados com menor carga tributária: Paraná, Amapá, São Paulo e Minas Gerais mantiveram ou reduziram alíquotas, enquanto Bahia, Piauí e Maranhão lideram o ranking de alta.
- Produtos com maior incidência: Manteiga e farinhas chegam a 23% de ICMS em alguns estados, pressionando margens do varejo.
Impacto Prático: O Que Fazer Agora
Com a desoneração total da cesta básica prevista apenas para 2033 (conforme a Lei Complementar da Reforma Tributária), empresas do setor devem se preparar para:
- Planejamento de fluxo de caixa:
- Simule cenários de redução gradual do ICMS (2025–2033) para evitar surpresas no capital de giro.
- Analise o impacto da não-cumulatividade plena do IBS/CBS nas cadeias de fornecimento.
- Compliance e obrigações acessórias:
- Atualize sistemas para lidar com duas alíquotas simultâneas (ICMS + IBS/CBS) durante o período de transição.
- Revise contratos com fornecedores para incluir cláusulas de repasses de créditos tributários.
- Estratégia comercial:
- Reavalie precificação em estados com alíquotas elevadas (ex: Maranhão, Bahia) para manter competitividade.
- Explore benefícios fiscais estaduais temporários (ex: isenções parciais) enquanto durarem.
Pacto Federativo: Oportunidade ou Armadilha?
O Governo Federal propôs um pacto emergencial para que estados zerem o ICMS sobre a cesta básica antes de 2033. Para empresas, isso significa:
- Vantagens: Redução imediata de custos e pressão inflacionária, com potencial de aumento de vendas.
- Riscos:
- Divergências entre estados podem gerar distorções concorrenciais (ex: um estado isentar e outro não).
- Mudanças abruptas exigirão ajustes rápidos em sistemas de faturamento e treinamento de equipes.
Recomendações da ABRAS para o Setor
O presidente da ABRAS, João Galassi, reforça a urgência de medidas imediatas. Para CFOs e gestores, as prioridades são:
- Mapeie a carga tributária atual: Identifique produtos e estados com maior impacto no ICMS para priorizar ações.
- Engaje-se no diálogo federativo: Participe de consultas públicas e fóruns estaduais para influenciar decisões locais.
- Prepare-se para o IVA Dual: Invista em tecnologia para lidar com a dupla tributação (ICMS + IBS/CBS) durante a transição.
- Monitore o Imposto Seletivo (IS): Produtos como bebidas e ultraprocessados podem ter alíquotas elevadas no novo modelo.
Conclusão: O Custo da Inação
Empresas que não se anteciparem às mudanças correm o risco de enfrentar:
- Perda de margem devido a alíquotas estaduais elevadas.
- Multas e autuações por erros no compliance durante a transição.
- Desvantagem competitiva frente a concorrentes que otimizarem seus processos.
O estudo da ABRAS é um alerta técnico para o setor: a reforma tributária não é um evento futuro, mas um processo em andamento. A hora de agir é agora.
Para acessar o estudo completo da ABRAS, clique aqui.


