O Que Muda no Fluxo de Caixa das Empresas a Partir de 2026
A Reforma Tributária, consolidada na Lei Complementar (PLP 68/24), introduz o Imposto Seletivo (IS) como parte do IVA Dual (IBS + CBS), com foco em produtos prejudiciais à saúde. Para CFOs e gestores de empresas dos setores de álcool, tabaco e ultraprocessados, as mudanças trazem impactos imediatos:
- Alíquotas mais altas: O IS incidirá sobre produtos como bebidas alcoólicas, cigarros e alimentos ultraprocessados, elevando a carga tributária e reduzindo margens de lucro.
- Não-cumulatividade plena: Embora o IVA Dual permita créditos tributários, o IS não segue essa lógica, aumentando custos finais para o consumidor e potencialmente reduzindo demanda.
- Novas obrigações acessórias: Empresas deverão adaptar sistemas de faturamento e compliance para reportar o IS separadamente do IBS e CBS, sob risco de autuações.
Impacto por Setor: O Que Esperar
Os dados técnicos da ACT Promoção da Saúde e do Ministério da Saúde indicam que o IS visa desestimular o consumo de produtos com alto custo social. Veja como cada segmento será afetado:
-
Tabaco:
- Aumento de até 30% no preço final, segundo estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS).
- Risco de migração para o mercado ilícito, exigindo maior controle de cadeia de suprimentos.
-
Bebidas Alcoólicas:
- Alíquotas progressivas conforme teor alcoólico, com impacto maior em destilados.
- Redução de 10-15% no consumo projetada, afetando receitas de distribuidores.
-
Ultraprocessados:
- Tributação diferenciada para alimentos com alto teor de açúcar, sódio ou gorduras trans.
- Empresas terão que revisar portfólios, com possível aumento de custos em P&D para reformulação de produtos.
Compliance Fiscal: O Que Fazer Agora
Para evitar surpresas no fluxo de caixa e garantir conformidade, as empresas devem:
- Mapear produtos impactados: Identificar quais itens do portfólio serão tributados pelo IS e simular cenários de preço.
- Revisar contratos: Cláusulas de repasse de custos para clientes e fornecedores precisam ser ajustadas.
- Atualizar sistemas: ERP e softwares de gestão tributária devem ser adaptados para calcular e reportar o IS separadamente.
- Treinar equipes: Contadores e advogados tributaristas devem dominar as novas regras para evitar erros em obrigações acessórias.
Oportunidades para Empresas que se Anteciparem
Empresas que adotarem uma estratégia proativa podem transformar o IS em vantagem competitiva:
- Reformulação de produtos: Reduzir ingredientes nocivos para enquadramento em alíquotas menores.
- Inovação em marketing: Posicionar produtos saudáveis como alternativa, aproveitando a redução de carga tributária para alimentos in natura.
- Parcerias com o governo: Aproveitar recursos arrecadados com o IS para investimentos em saúde pública, como prevê a Reforma Tributária 3S.
O Imposto Seletivo não é apenas uma mudança tributária, mas uma reestruturação de mercado. Empresas que não se adaptarem correm o risco de perder competitividade, enquanto aquelas que anteciparem as mudanças poderão liderar a transição para um modelo mais sustentável. A Lei Complementar (PLP 68/24) já está em vigor, e o prazo para adequação é curto: 2026 está mais próximo do que parece.



