ITCMD Progressivo: Como a Reforma Tributária Quadruplicará Custos de Heranças e Doações em 10 Estados a Partir de 2025
Alíquotas do ITCMD saltarão de 2% para até 8% em SP, AM e outros estados. Saiba como se preparar para o impacto no fluxo de caixa e compliance.
Resposta direta
Alíquotas do ITCMD saltarão de 2% para até 8% em SP, AM e outros estados. Saiba como se preparar para o impacto no fluxo de caixa e compliance.
Perguntas-chave
- O que ITCMD muda na prática para o contribuinte?
- Como Reforma Tributária afeta planejamento e tomada de decisão?
O Que Muda no Seu Planejamento Sucessório a Partir de 2025
Empresários, herdeiros e doadores em 10 estados brasileiros enfrentarão um aumento de até 400% no Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) com a regulamentação da Reforma Tributária (PLP 108/2024). A mudança, que entra em vigor no ano seguinte à aprovação estadual, impõe a progressividade obrigatória e eleva o teto da alíquota para 8% — com discussões no Senado para ampliar o limite para 16%.
Impacto Direto no Fluxo de Caixa e Custos de Compliance
- Estados mais afetados: Amazonas (2% → 8%), Alagoas (2% → 8% em doações), São Paulo (4% → 8%) e Rio Grande do Norte (3% → 8%).
- Novas obrigações acessórias: Os estados deverão definir critérios para "grande patrimônio", sujeito à alíquota máxima, exigindo revisão de estruturas sucessórias e auditoria prévia de ativos.
- Risco de bitributação: A reforma permite a tributação de heranças e doações recebidas no exterior, mesmo que já tributadas no país de origem. Advogados recomendam revisão de holdings internacionais.
Cronograma e Estratégias de Mitigação
A Lei Complementar 108/2024 estabelece que as mudanças valerão a partir do ano seguinte à aprovação em cada estado. Com a tramitação acelerada no Senado, especialistas projetam que os primeiros impactos ocorrerão em 2025. Veja como se preparar:
- Antecipe doações: Transfira ativos antes da vigência das novas regras para aproveitar alíquotas atuais (ex: 2% no AM).
- Reestruture holdings: Avalie a criação de fundações familiares ou trusts para otimizar a transmissão de patrimônio.
- Documente operações: A progressividade exigirá laudos de avaliação para ativos não monetários (imóveis, participações societárias).
- Monitore projetos estaduais: Alguns estados podem antecipar a regulamentação para 2024 (ex: SP e RJ).
O Que Dizem os Especialistas
"A reforma alinha o Brasil a uma tendência global de tributação progressiva sobre patrimônio, mas a transição abrupta pode gerar insegurança jurídica. Empresas com operações em múltiplos estados precisarão de mapeamento detalhado das alíquotas para evitar surpresas", alerta Bernardo de Vilhena Saadi, sócio do escritório André Teixeira Rossi Advogados e autor do levantamento.
O Senado discute ainda um Projeto de Resolução para elevar o teto do ITCMD para 16%, o que poderia dobrar novamente os custos em estados como SP e AM. "A incerteza sobre o teto final adiciona complexidade ao planejamento sucessório", complementa Saadi.
Checklist para Empresas e Famílias
- ✅ Revise testamentos e contratos de doação para incluir cláusulas de revisão tributária.
- ✅ Calcule o impacto no fluxo de caixa de herdeiros, especialmente em negócios familiares com baixa liquidez.
- ✅ Treine equipes de compliance para lidar com as novas obrigações acessórias (ex: declaração de bens no exterior).
- ✅ Considere seguros de vida como alternativa para cobertura de custos tributários.
Tabela Comparativa: Alíquotas Atuais vs. Projetadas (2025)
| Estado | Alíquota Atual (Herança) | Alíquota Atual (Doação) | Alíquota Projetada (2025) | Aumento (%) |
|---|---|---|---|---|
| Amazonas | 2% | 2% | Até 8% | +300% |
| Alagoas | 4% | 2% | Até 8% | +100% (herança) / +300% (doação) |
| São Paulo | 4% | 4% | Até 8% | +100% |
| Rio Grande do Norte | 3% | 3% | Até 8% | +166% |
Fonte: Levantamento André Teixeira Rossi Advogados (2024).
Próximos Passos: O Que Acompanhar
- PLP 108/2024: Aprovação na Câmara e sanção presidencial.
- Projeto de Resolução do Senado: Discussão sobre o aumento do teto para 16%.
- Regulamentações estaduais: Cada estado terá autonomia para definir faixas de progressividade.
"A reforma não é apenas uma mudança de alíquota, mas uma reengenharia do planejamento sucessório. Quem não se adaptar agora pagará mais caro depois", conclui Saadi.


