Reforma Tributária 2026: Como o IBS e a CBS vão redefinir o fluxo de caixa das empresas do Vale do Taquari

IBSAtualizado 08/05/2026, 13:50

Empresas do RS já estudam impactos do IVA Dual e do IS: veja prazos, custos de adaptação e novas obrigações acessórias que entram em vigor em 2026.

Resposta direta

Empresas do RS já estudam impactos do IVA Dual e do IS: veja prazos, custos de adaptação e novas obrigações acessórias que entram em vigor em 2026.

Perguntas-chave

  • O que IBS muda na prática para o contribuinte?
  • Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?

O que muda no seu negócio a partir de 2026: IBS, CBS e o fim do regime cumulativo

As empresas do Vale do Taquari têm menos de 12 meses para se adaptar à Reforma Tributária (LC 214/2025), que institui o IVA Dual — composto pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços, estadual) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços, federal). O prazo é curto, e os impactos no fluxo de caixa e na estrutura de custos já estão sendo mapeados por um grupo de estudos liderado pela Univates, com participação de CFOs, contadores e advogados tributaristas da região.

Três mudanças críticas para o setor de serviços (e como se preparar)

  • Não-cumulatividade plena: A compensação de créditos tributários será obrigatória, exigindo sistemas de contabilidade integrados. Empresas que hoje operam com regimes simplificados (como o Simples Nacional) precisarão revisar processos para evitar perdas de créditos.
  • Imposto Seletivo (IS): Incidirá sobre produtos como combustíveis, cigarros e bebidas, mas também sobre serviços digitais (streaming, SaaS). A alíquota ainda não foi definida, mas especialistas alertam para um possível aumento de 5% a 10% nos custos operacionais.
  • Novas obrigações acessórias: A declaração unificada (DUIMP) substituirá a DCTF e a EFD-Contribuições, com prazos mais rígidos. A multa por atraso pode chegar a 2% do faturamento mensal.

Custos de adaptação: o que as empresas do RS já estão fazendo

O grupo de estudos da Univates, coordenado pelos professores Marciano Buffon e Tatiele Kuntz, identificou três frentes de ação prioritárias para empresas da região:

  1. Auditoria de créditos tributários: Revisão dos últimos 5 anos para identificar créditos não aproveitados antes da transição para o novo regime.
  2. Treinamento de equipes: Capacitação em compliance fiscal para evitar erros na apuração do IBS/CBS. A Univates planeja um congresso aberto em dezembro de 2025 para discutir casos práticos.
  3. Investimento em tecnologia: ERP com módulo de IVA Dual e integração com a Receita Federal. Empresas que não se adaptarem podem enfrentar bloqueio de créditos e autuações.

Setor de serviços: por que a CBS pode ser mais desafiadora que o IBS

Enquanto o IBS (estadual) terá alíquota única em todo o país, a CBS (federal) permitirá diferenciações por setor. Para serviços, a expectativa é de uma alíquota entre 12% e 15%, com regras específicas para:

  • Serviços financeiros (bancos, seguradoras);
  • Saúde e educação (possível isenção parcial);
  • Tecnologia (SaaS, cloud computing).

"A complexidade está na definição de insumos para fins de creditamento", alerta o professor Guilherme Sandri, do grupo de estudos. "Um hospital, por exemplo, precisará separar quais medicamentos geram crédito e quais não."

Cronograma de implementação: o que fazer em 2025

As empresas têm até janeiro de 2026 para se adequar, mas a Receita Federal já sinalizou que fiscalizará a transição. Veja as etapas críticas:

Período Ação
Junho/2025 Publicação das alíquotas definitivas do IBS e CBS (PLP 68/24).
Setembro/2025 Início do período de testes do sistema DUIMP (obrigação acessória unificada).
Janeiro/2026 Entrada em vigor do IBS e CBS para empresas com faturamento acima de R$ 300 milhões.
Julho/2026 Extensão para todas as empresas, incluindo MEIs e Simples Nacional.

Riscos de não compliance: multas e bloqueio de créditos

A LC 214/2025 prevê penalidades severas para empresas que não se adaptarem:

  • Multa de 1% a 2% do faturamento mensal por erros na apuração do IBS/CBS;
  • Suspensão do direito a créditos tributários por até 12 meses;
  • Responsabilização solidária de sócios e administradores em casos de fraude.

"O maior risco não é a multa, mas a perda de competitividade", avalia Cristiani Reimers, gestora do Tecnovates. "Empresas que não se prepararem terão custos maiores e margens reduzidas."

Como o grupo de estudos da Univates pode ajudar sua empresa

O projeto, que já reuniu mais de 40 participantes (incluindo representantes de indústrias locais e escritórios de contabilidade), oferece:

  • Análise técnica dos artigos da LC 214/2025;
  • Simulações de impacto no fluxo de caixa;
  • Modelos de planilhas para apuração do IBS/CBS;
  • Debates com especialistas como Ari Kunzel (contabilidade) e Valmor Kapler (direito tributário).

Os encontros são quinzenais, às sextas-feiras, no Tecnovates (Lajeado/RS). As inscrições para o Congresso sobre Reforma Tributária (previsto para dezembro/2025) serão abertas em agosto. Para participar, entre em contato pelo e-mail [email protected].

Checklist para 2025: o que sua empresa precisa fazer agora

  1. Mapear todos os créditos tributários dos últimos 5 anos;
  2. Revisar contratos com fornecedores para garantir o creditamento;
  3. Treinar a equipe em não-cumulatividade plena;
  4. Testar o sistema DUIMP (disponível em setembro/2025);
  5. Simular o impacto da CBS no seu setor (use a calculadora da Receita Federal).

Fonte: Grupo de Estudos sobre Reforma Tributária da Univates (LC 214/2025). Dados atualizados em 09/05/2025.