Reforma Tributária 2026: Como o IVA Dual e o IBS vão revolucionar (e complicar) o setor imobiliário

IBSAtualizado 07/05/2026, 15:35

Setor imobiliário enfrenta urgência crítica para adaptar-se ao IBS e CBS até 2026. Veja impactos no fluxo de caixa, créditos tributários e cadeia de suprimentos.

Resposta direta

Setor imobiliário enfrenta urgência crítica para adaptar-se ao IBS e CBS até 2026. Veja impactos no fluxo de caixa, créditos tributários e cadeia de suprimentos.

Perguntas-chave

  • O que IBS muda na prática para o contribuinte?
  • Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?

O que muda no setor imobiliário a partir de 2026: Guia de sobrevivência para CFOs e gestores

O setor imobiliário e da construção civil entra em alerta vermelho com a iminente implementação da Reforma Tributária. A partir de 2026, a fase de testes do IVA Dual (composto pelo IBS e CBS) exigirá adaptações urgentes em sistemas, contratos e fluxos de caixa. Especialistas alertam: "Quem não procurou seu contador ainda, procure", como enfatizou Ely Wertheim, presidente do Secovi-SP, durante o evento Incorpora 2025.

Impactos imediatos: O que fazer agora

  • Fluxo de caixa em risco: A transição para a não-cumulatividade plena exige renegociação com toda a cadeia de suprimentos, incluindo fornecedores do Simples Nacional. "O crédito tributário só será viável se a cadeia inteira estiver alinhada", alerta Giovana Brunetta, gestora tributária da Grant Thornton.
  • Custos ocultos: Empresas terão que operar sistemas paralelos até 2032, elevando despesas com compliance. Lucas Freitas (TOTVS) destaca: "O mercado não terá mão de obra especializada suficiente se a adaptação for deixada para o último trimestre de 2025".
  • Novas obrigações acessórias: A Lei Complementar 68/24 (PLP 68/24) introduz regras complexas para o redutor de ajuste e o Imposto Seletivo (IS), exigindo revisão de contratos e sistemas ERP.

Riscos para a cadeia produtiva

O setor enfrenta um efeito dominó de desafios:

  • Pequenos empreiteiros: Podem se tornar menos atrativos se não contribuírem para a base de crédito das incorporadoras. "Será preciso 'aculturar' esses fornecedores", afirma York Stefan (Sinduscon-SP).
  • Tecnologia: Sistemas de gestão (como os da TOTVS) precisarão ser atualizados para lidar com o IVA Dual, sob risco de multas por descumprimento.
  • Prefeituras: Restrições urbanas (como limitações a guindastes) podem atrasar a industrialização da construção, mesmo com incentivos da reforma.

Oportunidades (e armadilhas) da reforma

Apesar dos desafios, a reforma traz vantagens estratégicas:

  • Desoneração de obras públicas: Projetos como o Minha Casa, Minha Vida serão beneficiados, estimulando a industrialização do setor.
  • Créditos tributários: Empresas que se adaptarem rapidamente poderão reduzir custos operacionais a longo prazo.
  • Competitividade: Luiz França (Abrainc) resume: "Quem passar pela arrebentação, vai sair ganhando".

Checklist de compliance para 2025

Para evitar surpresas, gestores devem:

  1. Auditar a cadeia de suprimentos: Identificar fornecedores que não geram créditos tributários (ex: Simples Nacional).
  2. Atualizar sistemas ERP: Garantir compatibilidade com as novas regras do IBS e CBS.
  3. Treinar equipes: Capacitar colaboradores em não-cumulatividade e obrigações acessórias.
  4. Revisar contratos: Incluir cláusulas de reajuste para absorver aumentos de custos tributários.

Cronograma crítico

Ano Etapa Ação Recomendada
2025 Preparação Iniciar auditoria tributária e atualização de sistemas.
2026 Fase de testes (alíquotas fixas) Operar sistemas paralelos e monitorar impactos no fluxo de caixa.
2027 Vigência plena Implementar não-cumulatividade plena e ajustar estratégias de precificação.

Nota do Editor: A reforma tributária não é apenas uma mudança de alíquotas — é uma reengenharia de processos. Empresas que tratarem o tema como prioridade estratégica (e não apenas operacional) terão vantagem competitiva a partir de 2027.