Reforma Tributária: Como o IVA Dual e o Fim dos Incentivos Ameaçam o Fluxo de Caixa do Agronegócio em 2026
A reforma tributária, com o IVA Dual, elimina incentivos do agronegócio, elevando custos de insumos e logística, e impactando o capital de giro. Empresas precisam de planejamento.
- Reforma Tributária
- IBS
- CBS
- Agronegócio
- IVA Dual
- Compliance Fiscal
- Fluxo de Caixa
- Créditos Tributários
- PLP 68/24
- EC 132/23

Resposta direta
A reforma tributária, com o IVA Dual, elimina incentivos do agronegócio, elevando custos de insumos e logística, e impactando o capital de giro. Empresas precisam de planejamento.
Perguntas-chave
- O que Reforma Tributária muda na prática para o contribuinte?
- Como IBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O Que Muda no Agronegócio com a Reforma Tributária: Impactos Imediatos no Fluxo de Caixa
A transição para o IVA Dual (IBS + CBS), prevista na Emenda Constitucional 132/23 e regulamentada pelo PLP 68/24, elimina incentivos fiscais históricos do agronegócio, gerando riscos concretos de aumento de carga tributária efetiva e pressão sobre o capital de giro. Segundo Camila Lotito, sócia do Martinelli Advogados, "a não-cumulatividade plena não compensará a perda de créditos presumidos e isenções, especialmente em insumos e serviços essenciais".
Pontos Críticos para CFOs e Contadores: Onde o Custo Aumenta
- Insumos Agropecuários: Fim da alíquota zero de PIS/Cofins e do diferimento de ICMS. Mesmo com redução de 60% na alíquota do IBS/CBS (prevista na EC 132/23), a incidência tributária na aquisição eleva o custo direto. Exemplo: Fertilizantes, antes isentos, passarão a ser tributados.
- Serviços Logísticos: Transporte, armazenagem e arrendamento mercantil perderão tratamentos diferenciados, sendo onerados pela alíquota cheia do IBS (subnacional) e CBS (federal). Impacto imediato no fluxo de caixa, pois o pagamento ocorre na contratação.
- Exportações: Embora isentas, gerarão acúmulo de créditos de IBS/CBS. A demora no ressarcimento (prazo ainda não definido em lei) pode comprometer o capital de giro, com efeito cascata na formação de preços.
- Produtores Rurais (PF e PJ): Fim da não-incidência de PIS/Cofins para PFs e da suspensão para PJs. ICMS com diferimento ou isenção será substituído pelo IBS, com alíquota única nacional.
Compliance Fiscal: Novas Obrigações Acessórias e Riscos
A reforma introduz desafios operacionais para empresas do agro:
- Sistema de Apuração: Migração para o regime de crédito financeiro (não mais físico) exige revisão de contratos e processos internos. Empresas devem mapear créditos de IBS/CBS em todas as etapas da cadeia.
- Documentação Eletrônica: A CBS exigirá emissão de notas fiscais eletrônicas (NF-e) para operações antes isentas, como vendas de produtores rurais PF. Falhas podem gerar glosas de créditos.
- Planejamento Tributário: A extinção de benefícios estaduais (como créditos outorgados de ICMS) demanda análise individualizada. "Cada elo da cadeia terá impacto distinto", alerta Lotito.
Cenário Projetado: Aumento de Custos e Pressão nos Preços
Estudos preliminares do Martinelli indicam que o agronegócio pode enfrentar:
- Aumento de 15% a 30% nos custos de insumos e serviços logísticos;
- Redução de 5% a 10% no capital de giro devido ao acúmulo de créditos não ressarcidos;
- Pressão inflacionária nos preços finais, especialmente em produtos com cadeias longas (ex: carnes, lácteos).
Recomendações para Mitigar Riscos
Para se antecipar às mudanças, especialistas recomendam:
- Revisão de Contratos: Renegociar cláusulas de repasse de custos tributários com fornecedores e clientes;
- Modelagem Financeira: Simular cenários com alíquotas efetivas de IBS/CBS (estimadas entre 12% e 25% para o agro);
- Tecnologia: Investir em sistemas de compliance para gestão de créditos e obrigações acessórias do IBS/CBS;
- Monitoramento Legislativo: Acompanhar a regulamentação do Imposto Seletivo (IS) sobre produtos como defensivos agrícolas, que pode adicionar nova camada de custos.
Próximos Passos: O Que Fazer Agora
- Realizar diagnóstico tributário para identificar benefícios em risco;
- Elaborar plano de contingência para capital de giro, considerando possíveis atrasos no ressarcimento de créditos;
- Participar de consultas públicas sobre a regulamentação do IBS, especialmente para definir regras de transição.
"A reforma não é apenas uma mudança de alíquotas, mas uma transformação no modelo de apuração. Quem não se preparar agora enfrentará custos de adaptação exponenciais em 2026", conclui Camila Lotito.


