Reforma Tributária: IBS e CBS podem elevar carga tributária do setor imobiliário em até 40% a partir de 2026
PLP 68/24 prevê redutores insuficientes para construção, aluguel e Minha Casa Minha Vida. CFOs e contadores devem revisar fluxo de caixa e compliance já em 2025.
Resposta direta
PLP 68/24 prevê redutores insuficientes para construção, aluguel e Minha Casa Minha Vida. CFOs e contadores devem revisar fluxo de caixa e compliance já em 2025.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
Setor imobiliário enfrenta aumento de até 40% na carga tributária com IVA Dual
O PLP 68/24, que regulamenta a Reforma Tributária (EC 132/23), traz mudanças críticas para o setor imobiliário a partir de 2026. Com a substituição de PIS/Cofins e ICMS/ISS pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), o setor de construção, aluguel e incorporação pode enfrentar um aumento de até 40% na carga tributária, segundo estudo apresentado na audiência pública do Senado. A não-cumulatividade plena do novo sistema, embora benéfica para outros segmentos, pressiona margens já apertadas no mercado imobiliário.
Impactos por segmento: o que muda no fluxo de caixa
- Construção e Incorporação:
- Carga atual: 7,8% (PIS/Cofins + ICMS/ISS).
- Carga projetada com redutor de 40%: 10,9% (aumento de 39,7%).
- Solução proposta: Redutor de 60% para manter carga em 7,8%.
- Risco: Aumento de custos repassado ao preço final, agravando o déficit habitacional (7 milhões de moradias, segundo CBIC).
- Aluguéis:
- Carga atual: 12% (IR + PIS/Cofins).
- Carga projetada com redutor de 60%: 20% (aumento de 66,7%).
- Solução proposta: Redutor de 80% para limitar impacto.
- Risco: Inflação nos aluguéis, especialmente para jovens (21,1% dos domicílios em 2022, IBGE).
- Minha Casa, Minha Vida:
- Redutor atual (40%) pode elevar preços em 15%.
- Compliance: Empresas do programa devem revisar contratos e precificação para evitar descumprimento de metas de acessibilidade.
Novas obrigações acessórias e custos de adaptação
A transição para o IVA Dual (IBS + CBS) exige investimentos em:
- Sistemas de gestão: Adaptação para cálculo de créditos tributários (não-cumulatividade plena) e emissão de notas fiscais eletrônicas no novo padrão.
- Treinamento: Capacitação de equipes para lidar com o Imposto Seletivo (IS) sobre bens específicos (ex: materiais de construção).
- Revisão contratual: Cláusulas de repasse de custos em contratos de locação e incorporação.
- IPTU: Municípios poderão atualizar base de cálculo via decreto, gerando incerteza jurídica. Empresas devem monitorar legislações locais.
Cronograma crítico para CFOs e contadores
- 2025:
- Simulações de impacto no fluxo de caixa com as novas alíquotas.
- Revisão de contratos com cláusulas de ajuste tributário.
- 2026 (implantação faseada):
- Testes de sistemas para emissão de notas fiscais no novo modelo.
- Monitoramento de decisões do Comitê Gestor do IBS sobre redutores.
Recomendações para mitigar riscos
- Engajamento institucional: Participar de audiências públicas e lobby para ajustar redutores (ex: 60% para construção, 80% para aluguel).
- Planejamento tributário: Avaliar migração para regimes especiais (ex: Simples Nacional para pequenas incorporadoras).
- Contencioso preventivo: Preparar defesas jurídicas para questionar atualizações unilaterais do IPTU.
- Parcerias estratégicas: Negociar com fornecedores para compartilhar custos de adaptação.
Fontes: PLP 68/24, EC 132/23, dados da CBIC e Secovi/SP.


