IBS e CBS: Como a Reforma Tributária vai dobrar a carga fiscal do setor imobiliário em 2026
Alíquotas de até 26,5% no IVA Dual e fim da cumulatividade ameaçam margens e fluxo de caixa das incorporadoras. Veja o que muda na prática.
Resposta direta
Alíquotas de até 26,5% no IVA Dual e fim da cumulatividade ameaçam margens e fluxo de caixa das incorporadoras. Veja o que muda na prática.
Perguntas-chave
- O que IBS muda na prática para o contribuinte?
- Como CBS afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda no seu fluxo de caixa a partir de 2026
O setor imobiliário será um dos mais impactados pela Reforma Tributária, com a substituição de PIS, COFINS, ICMS, ISS e IPI pelo IVA Dual (IBS + CBS). A partir de 2026, incorporadoras e construtoras enfrentarão:
- Aumento médio de 100% na carga tributária: Imóveis de R$ 1 milhão passarão de 4% para 8,3% em tributos (optantes pelo RET).
- Fim da cumulatividade: Créditos de IVA serão limitados a custos diretos (terrenos, materiais, mão de obra terceirizada), exigindo novos controles.
- Alíquota nominal de 26,5%: Redução de 40% para o setor (15,9%) ainda é insuficiente para compensar o fim de benefícios atuais.
Impacto por faixa de preço: do sonho da casa própria ao alto padrão
Com o Redutor Social (R$ 100 mil para unidades construídas e R$ 30 mil para lotes), o Governo busca mitigar o impacto em imóveis populares. No entanto, a progressividade da carga tributária revela um cenário preocupante:
| Faixa de Preço | Carga Atual (RET) | Carga Pós-Reforma |
|---|---|---|
| Até R$ 240 mil | 4% | 7,1% |
| R$ 500 mil | 4% | 7,6% |
| R$ 1 milhão | 4% | 8,3% |
| R$ 2 milhões | 4% | 11,2% |
Fonte: Simulações baseadas no PLP 68/24
Cronograma de transição: o que fazer em 2025
A Lei Complementar aprovada prevê uma implementação gradual, mas as empresas já devem se preparar:
- 2025: Vigência das regras atuais (PIS/COFINS, ICMS, ISS). Último ano para planejamento tributário.
- 2026: Início da cobrança da CBS (0,9%) e IBS (0,1%) em caráter experimental.
- 2027:
- Extinção do PIS/COFINS e elevação da CBS para alíquota de referência.
- Redução a zero do IPI (exceto Zona Franca de Manaus) e implementação do Imposto Seletivo (IS).
- 2029–2032: Extinção gradual do ICMS e ISS.
- 2033: Vigência integral do IVA Dual e extinção dos tributos antigos.
Compliance fiscal: novas obrigações acessórias
A não-cumulatividade plena exigirá ajustes em sistemas e processos:
- Sistemas ERP: Necessidade de módulos específicos para apuração de créditos de IVA (ex: SAP, TOTVS).
- Controles internos: Rastreabilidade de custos diretos (terrenos, projetos, materiais) para aproveitamento de créditos.
- Governança tributária: Revisão de contratos com fornecedores para garantir a elegibilidade dos créditos.
- Regime de caixa vs. competência: Pleito do setor para manter o regime de caixa em vendas de imóveis (ainda em discussão no PLP 68/24).
Pleitos do setor: o que pode mudar no Senado
Entidades como o Sinduscon-GO e a CBIC pressionam por alterações no PLP 68/24 e no PLP 108/24. Os principais pontos em negociação são:
- Redução de 60% na alíquota do IVA para incorporadoras (atualmente 40%).
- Redução de 80% para locações (hoje 60%).
- Regras de transição para contratos já firmados.
- Clareza na tributação de pessoas físicas em locações.
- Antecipação da cobrança do ITBI.
Recomendações para CFOs e contadores
Para mitigar riscos, especialistas recomendam:
- Auditoria prévia: Mapear créditos de IVA potenciais em custos atuais (ex: terrenos adquiridos antes de 2026).
- Modelagem financeira: Simular o impacto da alíquota de 15,9% no fluxo de caixa de empreendimentos em andamento.
- Treinamento de equipes: Capacitar times fiscais e contábeis para a nova sistemática de apuração.
- Engajamento setorial: Participar de consultas públicas e articulações com entidades para influenciar ajustes no PLP 68/24.
Conclusão: margens em risco e preços em alta
O IVA Dual trará complexidade operacional e aumento de custos administrativos, mas o maior desafio será o repasse da carga tributária para o consumidor final. Com a alíquota efetiva de 15,9%, o setor imobiliário pode ver uma redução de até 30% nas vendas, segundo projeções da FGV. A janela para adaptação é curta: empresas que não se prepararem em 2025 enfrentarão dificuldades para manter a competitividade em 2026.
Rodney Guardia, sócio do Grupo Mapah e especialista em tributação imobiliária, alerta: "O setor precisa de regras claras para não comprometer o financiamento da habitação no Brasil."


