Reforma Tributária: Como o IVA Dual e o IBS vão encarecer compras internacionais a partir de 2026
A substituição do ICMS pelo IVA Dual (IBS + CBS) elevará alíquotas para até 26,5% em compras internacionais, impactando fluxo de caixa e estratégias de importação. Entenda os custos.
Resposta direta
A substituição do ICMS pelo IVA Dual (IBS + CBS) elevará alíquotas para até 26,5% em compras internacionais, impactando fluxo de caixa e estratégias de importação. Entenda os custos.
Perguntas-chave
- O que Reforma Tributária muda na prática para o contribuinte?
- Como IVA Dual afeta planejamento e tomada de decisão?
O que muda nas compras internacionais a partir de 2026?
A Reforma Tributária, consolidada pela Lei Complementar (PLP 68/24), extingue o ICMS e implementa o IVA Dual — composto pelo IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) (estadual/municipal) e pela CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) (federal). Para empresas e consumidores que importam via plataformas como Shein, Shopee e AliExpress, isso significa:
- Aumento imediato de custos: Alíquota única de 26,5% (vs. 17% do ICMS atual), aplicada sobre o valor do produto + frete + seguro.
- Fim da isenção para compras abaixo de US$ 50? Especialistas divergem: enquanto o Imposto de Importação (60%) pode ser retomado, o governo não sinalizou revogação da regra.
- Impacto no fluxo de caixa: Empresas que dependem de insumos importados enfrentarão elevação de até 50% no custo final (ex.: roupa de R$ 1.000 passará a R$ 1.615).
Cenários de taxação: o que esperar
Com a não-cumulatividade plena do IVA Dual, a cobrança será unificada, mas os valores variam conforme o tipo de produto e faixa de preço. Veja simulações baseadas em declarações de tributaristas:
| Faixa de Valor | Alíquotas Aplicáveis | Exemplo Prático (R$ 100) | Valor Final |
|---|---|---|---|
| Abaixo de US$ 50 | IVA Dual (26,5%) | R$ 100 + 26,5% | R$ 126,50 |
| IVA Dual (26,5%) + Imposto de Importação (60%) | R$ 100 + 86,5% (inclui frete/seguro) | R$ 202,40 | |
| Acima de US$ 50 | IVA Dual (26,5%) + Imposto de Importação (35% a 60%) | R$ 1.000 (roupa) + 26,5% + 35% | R$ 1.615 |
Cronograma e riscos de compliance
A transição ocorrerá em fases, com impactos graduais no custo de adaptação e nas obrigações acessórias:
- 2026: Início da cobrança do IBS e CBS em alíquotas transitórias (ainda não definidas).
- 2027: Vigência plena da CBS, com alíquota consolidada em 26,5%. Empresas devem revisar contratos de importação e sistemas de pricing.
- 2033: Consolidação total do IVA Dual, incluindo o Imposto Seletivo (IS) para produtos nocivos (ex.: cigarros, bebidas).
Estratégias para mitigar o impacto
Para CFOs e gestores, as prioridades incluem:
- Revisão de cadeias de suprimentos: Avaliar fornecedores locais para reduzir dependência de importações.
- Adequação de sistemas: Atualizar ERPs para calcular o IVA Dual e gerar notas fiscais eletrônicas (NF-e) compatíveis.
- Planejamento tributário: Explorar regimes especiais (ex.: drawback) ou benefícios para setores estratégicos.
- Monitoramento regulatório: Acompanhar a regulamentação do PLP 68/24 para ajustes em tempo real.
O que dizem os especialistas
Em entrevista ao Nova Regra, tributaristas destacam:
"A Reforma Tributária trará mais transparência, mas o aumento da carga para importações é inevitável. Empresas devem se preparar para um choque de custos já em 2026." — Marcos Correia Piqueira Maia, sócio do Maneira Advogados.
"Mesmo que a isenção para compras abaixo de US$ 50 seja mantida, a substituição do ICMS pelo IVA Dual elevará a tributação em 56%. É um alerta para consumidores e varejistas." — Rafael Zorzi e Aleksandros Markopoulou, Ayres Ribeiro Advogados.
Conclusão: prepare-se para a nova realidade
A Reforma Tributária redefine o cenário de importações no Brasil, com reflexos diretos no preço final ao consumidor e na competitividade das empresas. A partir de 2026, a combinação do IVA Dual com o Imposto de Importação exigirá:
- Análise detalhada de margens e cash flow.
- Investimento em compliance fiscal para evitar multas por erros na apuração do IBS/CBS.
- Diálogo com contadores e advogados para explorar alternativas legais de redução de custos.
Fonte: Adaptado de TecMundo e declarações de Bernard Appy (Secretário da Reforma Tributária).


